poéticas de greve...

"ameixa

ou deixe-a"

 

A ameixeira

 

No pomar tem uma ameixeira

Tão pequena, que ninguém faz fé.

Em volta dela há uma cerca

que é pra ninguém botar o pé.

 

A pequenina não pode crescer

pis crescer ela queria bem.

Mas aí nada se pode fazer

Tão pouco é o sol que ela tem.

 

Nessa ameixeira ninguém faz fé

porque nunca deu uma ameixinha.

Mas que é umaameixeira, isso é:

Pelas folhas a gente adivinha!

(b.b.)

Escrito por dri escher às 21h00


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Escrito por dri escher às 00h03


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Pensar que a gente cessa é íngreme. Minha alegria ficou sem voz.

 

 

 

 

 

 

 

(Manoel de Barros)

Escrito por dri escher às 00h57


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minha monstrinho...

Ela tece caminhos curtos para grandes trajetórias. O anonimato do tempo que nos diverge é o espetáculo particular do toque que nos aproxima, assim, aos tantos. Vejo toda minha literatura inventada passar por seus olhos em movimento cinematográfico: embaralhamos cenas e esquecemos o sentido lógico de nossos signos.  Às vezes ela percebe que minha lógica não existe na realidade. Mas invade os espaços da minha mão até torna-la parte de mim e da inconstância das vinhas visões. A melhor. Eu me escondo nos meus diversos personagens inventados, ao menos tento. Ela conquistou espaço garantido em qualquer trecho da minha vida mesmo eu teimando, eu correndo, e... Seus pés são silenciosos pela manhã e de noite ela retira os óculos como quem fecha um livro acabado de ler. Aposto que nas lentes ficam presas algumas imagens do dia, embaçadas pelo meu respirar torto e profundo. Tento trazer para cá o que tinha escrito para ela. Não há pretensões literárias. Acabo esquecendo toda minha verve poética rabiscada nos seus olhos miúdos. E quando ela se levanta ainda sinto o cheiro de nosso amor enroscando no lençol feito os feitos de gatos. Minhas cartas de amor são declamadas ao longo da noite, mesmo em silêncio, mesmo em sonho. Reservo-me o direito exclusivo do seu ouvido. É nele que confio tudo em mim que for azul. Eu nasci atrasada. Mas a encontrei. O gosto do seu corpo me diz que tudo hoje é possível: e que de nós haverá tempo, porque temos lábios suficientes para construí-lo.

 

Escrito por dri escher às 20h30


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eu queria dar menos atenção ao coelho branco... hunf

Para baixo na toca do coelho

 

Alice estava começando a ficar muito cansada de estar sentada ao lado de sua irmã e não ter nada para fazer: uma vez ou duas ela dava uma olhadinha no livro que a irmã lia, mas não havia figuras ou diálogos nele e “para que serve um livro”, pensou Alice, “sem figuras nem diálogos?”

 

     Então, ela pensava consigo mesma (tão bem quanto era possível naquele dia quente que a deixava sonolenta e estúpida) se o prazer de fazer um colar de margaridas era mais forte do que o esforço de ter de levantar e colher as margaridas, quando subitamente um Coelho Branco com olhos cor-de-rosa passou correndo perto dela.

 

 Não havia nada de muito especial nisso, também Alice não achou muito fora do normal ouvir o Coelho dizer para si mesmo “Oh puxa! Oh puxa! Eu devo estar muito atrasado!” (quando ela pensou nisso depois, ocorreu-lhe que deveria ter achado estranho, mas na hora tudo parecia muito natural); mas, quando o Coelho tirou um relógio do bolso do colete, e olhou para ele, apressando-se a seguir, Alice pôs-se em pé e lhe passou a idéia pela mente como um relâmpago, que ela nunca vira antes um coelho com um bolso no colete e menos ainda com um relógio para tirar dele. Ardendo de curiosidade, ela correu pelo campo atrás dele, a tempo de vê-lo saltar para dentro de uma grande toca de coelho embaixo da cerca.

 

     No mesmo instante, Alice entrou atrás dele, sem pensar como faria para sair dali.

 

     A toca do coelho dava diretamente em um túnel, e então aprofundava-se repentinamente. Tão repentinamente que Alice não teve um momento sequer para pensar antes de já se encontrar caindo no que parecia ser bastante fundo.

Escrito por dri escher às 00h37


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Escrito por dri escher às 22h08


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Escrito por dri escher às 18h22


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lendo muito

compreendendo um pouco

e questionando bastante:

parece que muitos livros deveriam ficar sempre guardados na estante.

 

 

Escrito por dri escher às 17h02


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Mesmo aproveitando dos punhados de nuvens finas, quase neblinas, que dançavam ao redor de suas bocas liquidamente famintas, achou pouco. Esticou-se ao máximo para alcançar as nuvens mais espessas, dizem, de gosto peculiarmente apreciado por raros.  De tanto, o pescoço aumentou e afinou, parecendo uma grande vara de pesca com um salmão desenhista de linhas, e ao ar, balançava perdendo o equilíbrio até que, o peso das idéias nodoadas na cabeça, de tanto giro e disparates, foi mais feroz, e com toda a gravidade dos fatos, deu com o nariz afundado no chão.

Escrito por dri escher às 20h37


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(sanduíche)

Escrito por dri escher às 22h05


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micro-conto

 

“- joaninha voa caindo”

falou o filho do João

- descrente do acontecido

Mas Ana já tinha se ido...

Escrito por dri escher às 22h16


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 o som do vento distorcido por um besouro passou apressado por entre meus pensamentos aéreos e capturou um minuto de silêncio contemplativo...

Escrito por dri escher às 01h41


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O dia - amante da lua -

Reluziu pedras na rua

O povo dormindo não via

A preciosidade daquela manhã...

Escrito por dri escher às 17h37


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Ontem à noite,

enquanto eu abria os olhos para saber se estava sonhando ou desperta, vi uma chuva espessa sussurrar no meu ouvido canções líquidas de divindades esquecidas e gatos se espreguiçarem por azulejos de uma igreja inexiste formada por uma renda de teias de aranha, desenhado geometricamente rosas perfeitas, que cintilavam feito diamante quando um raio de sol, refletivo na espada de Jorge, vinha lhe beijar os vitrais de vapor. Uma santa dourada desprendeu-se das delicadas mãos que seguram os fios do meu entendimento e pousou aos pés de um quadro, e um manto fino de pele se esticou tanto que transmutou-se em o céu sobre um mar de lenços e lençóis marejado violentamente por tempestades de verão, de onde saíram polvos de longos tentáculos, cantos de baleias, águas-vivas acenando à casas espiraladas de conchas, corais sinuosos e coloridos, milhares de cardumes de barbatanas prateadas ligeiras, uma lagosta acompanhando com suas antenas o vôo aquático de uma leve arraia gigantesca, sombreando suculentas ostras, cheias de pérolas-nenéns que uma sereia retirava delicadamente, uma a uma, e enfeitava nos cabelos de maré vermelha que me ondulou até a superfície uma ilha de areia fina e espumas cheirando erva-doce. Dois faróis raiando faixas de dias, suspensos por ninhos de gaivotas, iluminam por instantes, fragmentos do interior da ilha, que misteriosamente adormece contando os zilhões de naus vestidas de branco, e grávidas de vento, que vão sumindo, lentamente, até serem engolidos pelo horizonte...

 

Escrito por dri escher às 17h20


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Hunf...adeus claras e quentes 19h

Chuveiro tem botão verão/inverno. Quando quiser, estica-se a mão até o pino e altera a opção, fica mais quente, ou não. Agora horário dividido entre inverno/verão, não tem escolha, é ruim e pronto.

Escrito por dri escher às 22h16


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