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Ontem à noite,
enquanto eu abria os olhos para saber se estava sonhando ou desperta, vi uma chuva espessa sussurrar no meu ouvido canções líquidas de divindades esquecidas e gatos se espreguiçarem por azulejos de uma igreja inexiste formada por uma renda de teias de aranha, desenhado geometricamente rosas perfeitas, que cintilavam feito diamante quando um raio de sol, refletivo na espada de Jorge, vinha lhe beijar os vitrais de vapor. Uma santa dourada desprendeu-se das delicadas mãos que seguram os fios do meu entendimento e pousou aos pés de um quadro, e um manto fino de pele se esticou tanto que transmutou-se em o céu sobre um mar de lenços e lençóis marejado violentamente por tempestades de verão, de onde saíram polvos de longos tentáculos, cantos de baleias, águas-vivas acenando à casas espiraladas de conchas, corais sinuosos e coloridos, milhares de cardumes de barbatanas prateadas ligeiras, uma lagosta acompanhando com suas antenas o vôo aquático de uma leve arraia gigantesca, sombreando suculentas ostras, cheias de pérolas-nenéns que uma sereia retirava delicadamente, uma a uma, e enfeitava nos cabelos de maré vermelha que me ondulou até a superfície uma ilha de areia fina e espumas cheirando erva-doce. Dois faróis raiando faixas de dias, suspensos por ninhos de gaivotas, iluminam por instantes, fragmentos do interior da ilha, que misteriosamente adormece contando os zilhões de naus vestidas de branco, e grávidas de vento, que vão sumindo, lentamente, até serem engolidos pelo horizonte...
Escrito por dri escher às 17h20
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Hunf...adeus claras e quentes 19h
Chuveiro tem botão verão/inverno. Quando quiser, estica-se a mão até o pino e altera a opção, fica mais quente, ou não. Agora horário dividido entre inverno/verão, não tem escolha, é ruim e pronto.
Escrito por dri escher às 22h16
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Chuva de granizo ao pé da janela.
Cada pedra cai e estala: “-Cadê ela?”
Escrito por dri escher às 16h38
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